Jaime I, de Aragão (1208 -1276), é um exemplo da ambivalência da época em relação aos judeus. Como vimos acima ele manteve seus direitos e privilégios, e muitos judeus ocupavam cargos importantes em seu reino. No entanto, durante todo esse período, os judeus foram obrigados a ouvir os sermões do clero que visavam a conversão. E, foi ele que organizou o famoso debate religioso entre um frei dominicano apóstata, Pablo Christiani, e o Rabi Moses ben Nahman, ou Nahmanides. Uma das mais importantes personalidades judaicas de todos os tempos, Nahmanides era um grande estudioso bíblico e talmúdico, além de cabalista.
Instigado por Christiani, o rei armou o debate e no verão de 1263, Nahmanides, então com cerca de 60 anos, recebeu ordem do rei Jaime I para se apresentar no Palácio Real em Barcelona. Durante o debate os dois oponentes representando o cristianismo e o judaísmo iriam discutir sobre vários temas: a missão messiânica havia sido cumprida por Jesus? Havia no Talmud provas de que Jesus fora de fato o messias? Era o messias divino ou humano?
Pablo Christiani, um judeu convertido que havia se tornado frei dominicano, esperava acelerar a conversão dos judeus de Sefarad convencendo Nahmanides de que o messias já tinha de fato vindo, na pessoa de Jesus, e que havia textos judaicos comprovando tal tese. Historiadores modernos acreditam que o debate era, de fato, parte de um plano dominicano para converter todos os judeus na Europa.
Mesmo após se terem passado mais de sete séculos, ainda evoca pesar e tristeza a figura solitária de Nahmanides no palácio real confrontando corajosamente as forças combinadas da Igreja e do Estado, na pessoa do rei, os líderes dominicanos e franciscanos, além de elementos hostis da população, de modo geral.
Os judeus tinham muita relutância em participar de qualquer debate religioso, seja com muçulmanos ou cristãos. Tais debates eram cheios de perigo, uma situação impossível de se vencer para o adversário judeu. Se Nahmanides falasse livremente poderia despertar a ira de seus poderosos oponentes, mas se não rebatesse as acusações e alegações de Christiani poderia desmoralizar seus correligionários, judeus. Assim, como defensor do judaísmo, ele tinha que satisfazer duas audiências simultaneamente. No final do debate, o rei disse: “Nunca vi ninguém que estivesse defendendo uma causa errada e argumentar tão bem quanto você”.
Algum tempo após o fim do debate Nahmanides voltou a Gerona e fez seu relato, dando uma cópia ao bispo da cidade, que provavelmente caiu nas mãos dos dominicanos, que o acusaram de blasfêmia. Ele foi forçado ao exílio em 1267, deixando sua família e indo sozinho para a Palestina.
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