MACAÍBA, MINHA INFÂNCIA, MINHA
CASA!!!
Os telhados avermelhados das
telhas de cerâmicas e as bordas douradas e brancas cintilavam sob a luz
brilhante do sol escaldante do litoral Nordeste Brasileiro. Mais de perto, as
águas azuis da piscina de nossa casa, que encrespavam com a passagem das aves
aquáticas que sobrevoavam nossa casa e nosso quintal. De mais longe, das mais
longas distâncias, chegavam aos bandos patos selvagens que se apressavam em
pousar no vasto quintal de nossa casa. De mais perto subiam ensurdecedores sons
da banda marcial da marinha, enquanto os religiosos músicos praticavam nos
campos, afastados das multidões, aprendiam e traziam contentes as mais belas
músicas orquestradas.
Eu não tinha tempo para
contemplar essas coisas de bandas cotidianas, pois achava um tanto quanto,
coisas de velhos. Assim sendo, reconheço que minha tarefa principal era mais muito
mais séria, e consistia em me manter no dorso de um cavalo quarto de milha,
bravo, que parecia indomável, era, portanto, o meu cavalo preferido. Não posso
negar, que eu também tinha outras preocupações no meu cérebro inquieto. Queria
naquele momento me ver livre do meu trabalho de adestrador e domador de cavalo,
pois o meu cavalo preferido necessitava pastar, rebolar-se no chão de terra
solta e espernear com as patas zanzando no ar para um lado e para outro.
O meu avô paterno tinha um velho
amigo que era um chefe de disciplina no grupo escolar da cidade, era, portanto,
um velho carrancudo e inflexível, porém, era um homem respeitadíssimo, amigo e
caridoso. Esse amigo do meu avô paterno sempre foi um homem severo e duro em
todos os aspectos, entretanto, agora, se colocava a disposição da Ordem
maçónica como um verdadeiro guardião e instrutor dos Aprendizes. Eu gostava
muito desse professor, pois ele era amante da equitação e sempre me apoio desde
que eu era um garotinho de seis ou sete anos, porém, as vezes faltava-lhe,
paciência para comigo, mas, eu sabia como lidar com os destemperamentos dele.
Seu Santinho era um dos homens de confiança do meu avô paterno, ele com outros
homens, foram escolhidos por suas competências e forças físicas, pois esse
senhor, seu Santinho, media quase dois metros de altura e a sua largura era bem
correspondente a altura, e os ombros do senho Santinho eram bem chumaçados e
com as roupas aumentavam ainda mais a sua largura natural. Existem nos sertões
Nordestinos os homens são extraordinariamente altos, fortes e destemidos, sendo
que muitos deles medem mais de dois metros, e são geralmente selecionados para
agir como guarda-costas para todos os membros da dinastia Rocha/Freire. Todos com
os ombros largos e fortes se posicionavam sempre eretos para aumentar a sua
autêntica corpulência, enegreciam as faces para mostrar um ar mais feroz e
andavam munidos de pistolas 765, sempre prontos a usá-los em qualquer infeliz
malfeitor ou delinquente, que trouxessem ameaças a qualquer um de nós.
Seu Santinho tinha sido polícia,
mas servia agora de guarda-costas a nossa família, e principalmente a mim como um
verdadeiro principezinho, embora de pouca estatura, e estávamos por demais calejados
de tanto andarmos a cavalo, e por isso todas as suas viagens que fazíamos eram
feitas a cavalo. Os sertanejos, haviam invadido a nossa cidade sob o comando de
um líder religioso, causando imensos alvoroços nas feiras livres e tudo aquilo
era maravilhoso. Ao que parece, tinham pensado que a melhor maneira de conhecer
a vida era fazendo amizades com os membros da dinastia Rocha/Freire, só assim
se sentiam seguros na cidade. Seu Santinho sempre foi um dos nossos defensores,
e durante todas as nossas aventuras, que chamávamos de combates tínhamos sempre
a companhia do senhor Santinho e de outros guarda-costas que se empenhavam em
nos proteger diuturnamente.
Meus avós paternos e maternos, meus
pais eram membros da dinastia mais importante daquela região, Rocha/Freire,
éramos importantes em todas as comunidades. As minhas famílias estavam
incluídas nas dez primeiras famílias, portanto, meus pais exerciam grandes
influências e eram considerados os senhores dos prósperos negócios de toda
região, porém, adiante darei pormenores acerca das nossas relações familiares,
como forma de governo da dinastia Rocha/Freire.
Meu pai era um homem corpulento,
de estatura elevada, com cerca de um metro e noventa de altura, e tínhamos
todas as razões para alardearmos a sua força, isso porque, em sua juventude
podia levantar do chão dois sacos de 60kg ao mesmo tempo, e era dos poucos que
podiam lutar com os homens e levar sempre a melhor, eram, portanto, lutas
amistosas, que logo após os duelos, todos se ajuntavam em nossa casa para comer
e beber bem a vontade.
A maioria dos Nordestinos tem
cabelos e olhos castanho-escuros, porém, o meu pai era uma das exceções na
região, cabelos ruivos e olhos azuis. Embora meu pai fosse um homem sereno, de
vez em quando, por um motivo maior, meu pai se entrega a explosões súbitas sem
que pudéssemos perceber as razões, porém, todos respeitavam ou temiam. Entretanto,
em todas as ocasiões tínhamos sempre de ver por perto os meus avós e os meus
pais, pois eram os nossos protectores, além dos nossos guarda-costas liderados
pelo senhor Santinho. O Nordeste Brasileiro é uma faixa territorial árida que
sempre atravessa períodos muito confusos da sua história. Além dos fenómenos
naturais de longas estiagens e secas terríveis, existem sempre os conflitos
ideológicos, culturais e religiosos que marcaram e marcam a história dos
Nordestinos. Os Nordestinos tinham corajosamente invadido com grupos armados
algumas cidades e povoados, e muitos tiveram que fugir para as cidades grandes
ou capitais, deixando seus familiares e outros membros da comunidade nas mãos
de muitos bandoleiros. Os Nordestinos foram muitas das vezes escorraçados de suas
terras e casas, aos tempos das revoluções culturais, ideológicas e religiosas,
mas não sem que primeiro tivessem cometido crimes atrozes contra o nosso povo
Nordestino.
Durante a sua ausência dos
nossos avós, em todos aqueles dias tão difíceis, os meus pais e aos outros
membros da dinastia Rocha/Freire coubera a responsabilidade de governar as
empresas e patrimónios pertencentes a dinastia Rocha/Freire. Interessante que a
minha mãe costumava dizer que a disposição do senhor Santinho como guarda-costas
não voltara jamais a ser o que fora, pois a cada dia ele ficava mais lento e um
tanto quanto cansado. Não tinha, com certeza, tempo a perder comigo, pois seu
Santinho me tinha como filho, e nunca conheceu o que fosse o amor paterno a não
ser o que ele demonstrava comigo seu predilecto. Eu, especialmente, parecia
exacerbar-lhe a ira, entretanto, se Santinho jamais ficava entregue às
impaciências das minhas aventuras, que eram vistas como manobras para
endireitar ou quebrar, como meu pai sempre dizia:
“Passarinho ou quebra ou
endireita”.
Seu Santínho considerava as
minhas tantas exibições em cima de um cavalo como uma afronta pessoal aos
demais cavaleiros que se apresentavam nos mesmos eventos, pois o meu cavalo era
sem sombras de dúvidas o melhor em toda a região. No Nordeste, os meninos das
famílias consideradas aristocráticas, como as nossas, no caso, são ensinados a
montar antes quase de aprenderem andar. Ser bom cavaleiro para a dinastia
Rocha/Freire é essencial não somente para a comunidade, mas, também, para o
país onde há carros nas todas as cidades e, onde todas as viagens nos
interiores têm de ser feitas a pé ou a cavalo, como era o nosso caso quando
íamos as nossas fazendas. Assim sendo, reconhecemos que toda nobreza Nordestina
pratica a equitação horas e horas, dia após dia, até preparar os seus moços e
moças, para se tornarem campeões e invencíveis, como era o meu caso, que
ninguém conseguia ganhar de mim em nenhuma prova de equitação. Assim todos os
nossos visitantes aguentavam-se sempre de pé na estreita sela de madeira para
apreciarem minhas aventuras com o meu cavalo quatro de milha. Muitas das vezes,
bons cavaleiros lançam-se a galopes através das planícies, em formações
regulares, tentando muda de cavalos saltando de uma sela para a outra, como
sendo a coisa mais simples, e eu, já aos nove anos de idade, tinha as maiores habilidades
em uma sela, era considerado sombra sobre a sela e o cavalo, ou seja, não
deslocava do lombo do cavalo.
O meu cavalo quarto de milha,
era de pelagem impecável, brilhava como se tivesse lustrado com óleo mineral e
tinha a cauda e as crinas compridas, e com a sua cabeça aparentemente fina para
a raça, tinha uma inteligência ímpar, conhecia meus desejos e lia meus
pensamentos. Meu cavalo tinha uma quantidade espantosa de recursos para me deixar
livre como um verdadeiro cavaleiro experiente como eu me considerava. Todas as
manhãs eram favoritas para eu e meu cavalo, eram sempre oportunas para darmos algumas
corridinhas, e quando eu deslizava desamparadamente ao longo do dorso e eu
chegava à altura da cabeça, o meu cavalo levantava a cabeça de repente, de
forma que eu dava sempre um salto completo antes de atingir o chão, parecia uma
relação sincronizada entre cavalo e cavaleiro. Depois de todas as nossas
andanças, o meu cavalo ficava sempre parado a olhar para mim com ares
complacentes.
No Nordeste nunca se anda a
trote, os cavalos não são pequenos e os cavaleiros parecem verdadeiros
guerreiros em campos de batalhas, onde na maioria das vezes um furta o passo
suave do outro, que suficientemente rápido correm para cumprir as suas necessidades,
reservando-se os galopes e carreiras para exercícios mais importantes.
O Nordeste é sem sombras de
dúvidas, uma teocracia, não se apresentava nenhum interesse os nossos governantes
tinham pelo progresso, isolando o Nordeste do mundo exterior. Não podemos
esquecer de que os nossos governantes nunca desejaram outra coisa senão deixar
em aparente paz aquela gente desolada, para poder meditar e subjugar os
impulsos das carnes surradas e sofridas daquela gente. Os nossos sábios sabiam
de há muito que os governantes cobiçavam as riquezas Nordestinas, e sabiam
também que logo que os estrangeiros chegassem para explorar a região Nordeste
aquela falsa paz desapareceria, agora que os governistas entraram no poder
selvagem provou-se que tínhamos razão em pensar negativamente sobre os nossos
governantes.
A minha casa era em Macaíba, na
estrada de contorno que rodeia Macaíba, à sombra do grande cajueiro, pois
existem três estradas circulares, e a que fica um pouco mais afastada, é a que
é muito usada pelos peregrinos em suas romarias cristãs. Quando nasci, a nossa
casa, em Macaíba, tinha dois pavimentos no lado que dava para a estrada, e
ainda um pequeno soto. Na realidade, essas manifestações só têm significados
durante as procissões que se realizam algumas vezes por ano, muitas casas têm
nos telhados planos para aproveitamento da altura em pé direito.
A nossa casa foi construída com
argamassa de cal, óleo de baleia, melaço de engenho, pedra e madeira de lei, fora
construída a muitíssimos anos, cerca de 400 anos, tinha a sua forma quadrada,
com um grande pátio interior que servia salas dentro da mesma sala. Os animais
domésticos cachorros, viviam em harmonia com todos da casa no térreo e, não podiam
subir ao primeiro andar, pois lá ficavam os dormitórios que eram muitos.
Tínhamos, portanto, uma boa fortuna de possuirmos um grande lance de degraus de
pedra; a maioria das casas do Nordeste não tinha mais que uma escada de
madeira, e nas casas dos camponeses geralmente de um só piso, não havia escadas.
Os meus avós resolveram em comum construir algumas casas próximas umas das
outras, criando assim uma espécie de condomínio habitacional de grande luxo,
fê-lo reconstruir com casas padrões de quatro andares, essas davam para a
estrada principal, e assim não olharíamos para a estrada romeira quando
passasse as procissões, por esta e outras razões, não houve protestos.
O portão principal que dava
acesso aos pátios interiores e exteriores era rigorosamente pesado, de madeira muito
antiga e de cor escura, e muitos dos romeiros, se desviavam dos seus caminhos e
tentavam invadir os nossos pátios, por não terem capacidade de ultrapassar os
muros, forçavam as vigas de madeira sólida do portão principal, e logo eram
recebidos pelos nossos cães de guardas e pelos nossos guarda-costas armados. Por
cima do portão principal ficava o escritório de administração do meu avô
paterno, onde, dali o meu avô paterno podia ver toda a gente que entrava e saía
da cidade, romeiros e não romeiros, porém, quem estivesse pelo lado de fora de
nossas fortalezas não conseguiam enxergar o meu avô paterno que estava sempre
em uma posição privilegiada, sobre tudo e sobre todos estrategicamente falando.
Era, portanto, o meu avô paterno quem contratava e/ou despedia o pessoal e
quem, providenciava para que, principalmente os serviços domésticos corressem
eficazmente para não causarem transtornos a minha avó materna. Meu avô ficava
sempre a observar, à sua janela, enquanto as pessoas transitavam para lá a e
para cá ao cair da tarde. As palmeiras entoavam canções aos conventos, que
faziam bem a nossa mente, alma e espírito. De todos os lados e regiões vinham
os religiosos para pagarem suas promessas e muitos deles vinham até os portões
de nossa casa para receber refeições e água fresca, pois era somente o que
minha família fornecia que os sustentavam durante as grandes jornadas e
peregrinações dias e noites. Todos os principais nobres da dinastia
Rocha/Freire proviam às necessidades dos pobres não importando suas respectivas
castas ou regiões. Por muitas e muitas vezes, apareciam até pessoas condenadas pela
justiça e que estiveram presos por determinados tempos em cadeias e
penitenciária, porque no Nordeste havia poucas prisões grandes e muitos dos
condenados vagueiam pelas cadeias e os delegados mendigando o sustento de seus
detentos.
Não podemos e não devemos
esquecer de que no Nordeste, os condenados não são tão desprezados, entretanto,
muita das vezes nem são considerados pessoas dignas de relacionamentos sociais
e nem tão pouco familiar. Todos nós sabemos que muitos dos nossos
representantes dos três poderes podres seriam condenados se as suas faltas
fossem descobertas e julgadas, por isso que essa corja de malfeitores não são
atingidos, por esse infortúnio são tratados com compaixão pelos seus pares, e o
pequeno, pobre, desamparado sofre além do necessário.
Nos quartos à direita do
gabinete do meu avô paterno que era o administrador geral da dinastia
Rocha/Freire viviam as mulheres e à esquerda os homens. As funções de todos eram
as domésticas enquanto estivesse debaixo das ordens dos nossos avós paternos e
maternos. Todos, rigorosamente cumpriam as suas missões diárias nos afazeres da
casa, rezávamos diariamente pedindo a protecção divina para as nossas famílias,
parentes, amigos e nossas actividades internas e externas. Os nobres menores de
idade, faziam os trabalhos internos e não podiam conviver expostos em actividades
extras com pessoas de linhagens inferiores, e para tanto, tínhamos um capelão que
era também um de nossos guarda-costas, que nos orientava com rigor e autoridade,
não permitia desordem ou desequilíbrios pessoais que comprometessem a dinastia
Rocha/Freire. Antes de qualquer acontecimento de importância, tínhamos que
consultar esse capelão e pedíamos que dedicassem preces a Deus para obter o
favor divino, e de três em três anos, recepcionávamos os sacerdotes que
voltavam de suas peregrinações e na nossa casa descansavam e eram substituídos
por outros que seguiam os mesmos passos missionários nas terras distantes dos
sertões áridos Nordestino, que pelas acções da natureza sacrificava aos poucos
sua gente.
Em cada lado da nossa casa havia
sempre uma sala que servia como sala de orações e/ou capela, embora não tivéssemos
imagens de esculturas, tínhamos algumas salas-capelas que auxiliavam a todos,
pois as mulheres rezavam em salas separadas dos homens. As lamparinas de azeite
mantinham-se permanentemente acesas em frente das salas-capelas que iluminavam
os altares de madeira esculpida onde guardávamos em cada a Torá. As sete pias
de bronze para uso sacerdotal, as águas eram limpas e renovadas várias vezes
por dia, isso porque, meus avós entendiam que elas tinham de estar rigorosamente
limpas porque o nosso Deus não gosta de nada sujo ou maculado, e nessas pias poderiam
até beber delas se assim desejassem. Os sacerdotes que frequentavam a nossa
casa eram bem alimentados e comiam à mesma mesa com a nossa família para que
pudessem rezar eficientemente e dizer a Deus que a nossa comida era boa e que
poderíamos abençoar milhares e milhares de pessoas famintas nos sertões
Nordestinos como fazíamos anualmente e incondicionalmente.
Em nossa casa com seu gabinete administrativo
vivia o especialista em leis, um dos mais renomados advogados, cuja tarefa
consistia em assegurar que os negócios da dinastia Rocha/Freire fossem
conduzidos de maneira correta, legal, produtiva, próspera e lucrativa. O que
mais nos chama a atenção é que os Nordestinos são rigorosos cumpridores das
leis e os meus avós e todos que compunham a dinastia Rocha/Freire tinha de dar exemplos
impecáveis nesses particulares, o que faziam orgulhosamente.
Nós, as crianças, meus irmãos,
primos e agregados, vivíamos diariamente na nova ala da casa que tinha apenas o
piso térreo, e dava de frente o pátio central onde tinha algumas fontes de água,
portanto, ficava bem mais afastada da estrada e do portão principal. À esquerda
da nossa ala ficava uma sala-capela muito bonita e toda ornamentada, que logo à
direita tinha uma sala de estudos, onde praticávamos, ditados, leituras orais,
e também, participavam os filhos dos criados. As coisas em nossa casa eram
rigorosamente e cuidadosamente estabelecidas para não ocorrerem erros, assim
sendo, as nossas lições diárias eram longas e variadas, para que nosso tempo
fosse rigorosamente ocupado com coisas boas e produtivas.
Certa vez, fomos visitar um
amigo íntimo do meu avô materno, ele estava muito doente, fraco, desnutrido e
incapaz de suportar a vida dura a que éramos submetidos naquele sertão
Nordestino, e antes de completar trinta anos deixou-nos e voltou para França, o
seu país de origem. Nessa época, eu tinha apenas nove anos de idade, mas, me
lembro de tudo o que aconteceu, e logo depois, recebemos a triste notícia que o
amigo do meu avô materno morreu. Lembro-me direitinho quando meu avô atendeu o
telefone, que só existia em nossa casa naquela época, recebendo a notícia vinda
do Recife que o amigo dele havia falecido poucos dias depois de chegar a França.
Enviaram dias depois as fotos do amigo morto, em que ele estava estendido sobre
uma grande mesa de mármore e parecia uma casca vazia, e os homens da IML o
levaram para o esquartejar, de acordo com o costume, para saber a causa morte.
Passei a ser o herdeiro de todos
os bens deixados pelo amigo do meu avô materno, pois, assim que o advogado da dinastia
Rocha/Freire e o meu treino como administrador passou a ser cada dia mais e
mais intensificado, isso porque, eu já tinha doze anos e além de ser um
cavaleiro nato, eu era também um aprendiz de administrador com meus avós. Meus avós
e meus pais eram pessoas rigorosas e rígidas, eram os principais da Congregação,
e nessa qualidade tinham de certificar-se de que eu o seu filho adquiria
disciplina severa e podia servir de exemplo aos outros, como modelo de criança
bem formada, educada, disciplinada, ordeira, responsável.
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