Do blog;

“Este é o meu espaço cibernético, onde pretendo postar temas relacionados com o amor e as grandezas de Deus, com a música, sobremodo com o estilo que é a minha paixão, o sertanejo de raiz; quero postar ainda sobre o amor entre homem e mulher, entre outros, e enfim, o tema aqui será aquele que for o tema do meu momento atual".

Dedico este espaço aos meus amores (família) e aos meus poucos e verdadeiros amigos.

domingo, 22 de julho de 2018


MACAÍBA, MINHA INFÂNCIA, MINHA CASA!!!

Os telhados avermelhados das telhas de cerâmicas e as bordas douradas e brancas cintilavam sob a luz brilhante do sol escaldante do litoral Nordeste Brasileiro. Mais de perto, as águas azuis da piscina de nossa casa, que encrespavam com a passagem das aves aquáticas que sobrevoavam nossa casa e nosso quintal. De mais longe, das mais longas distâncias, chegavam aos bandos patos selvagens que se apressavam em pousar no vasto quintal de nossa casa. De mais perto subiam ensurdecedores sons da banda marcial da marinha, enquanto os religiosos músicos praticavam nos campos, afastados das multidões, aprendiam e traziam contentes as mais belas músicas orquestradas.
Eu não tinha tempo para contemplar essas coisas de bandas cotidianas, pois achava um tanto quanto, coisas de velhos. Assim sendo, reconheço que minha tarefa principal era mais muito mais séria, e consistia em me manter no dorso de um cavalo quarto de milha, bravo, que parecia indomável, era, portanto, o meu cavalo preferido. Não posso negar, que eu também tinha outras preocupações no meu cérebro inquieto. Queria naquele momento me ver livre do meu trabalho de adestrador e domador de cavalo, pois o meu cavalo preferido necessitava pastar, rebolar-se no chão de terra solta e espernear com as patas zanzando no ar para um lado e para outro.
O meu avô paterno tinha um velho amigo que era um chefe de disciplina no grupo escolar da cidade, era, portanto, um velho carrancudo e inflexível, porém, era um homem respeitadíssimo, amigo e caridoso. Esse amigo do meu avô paterno sempre foi um homem severo e duro em todos os aspectos, entretanto, agora, se colocava a disposição da Ordem maçónica como um verdadeiro guardião e instrutor dos Aprendizes. Eu gostava muito desse professor, pois ele era amante da equitação e sempre me apoio desde que eu era um garotinho de seis ou sete anos, porém, as vezes faltava-lhe, paciência para comigo, mas, eu sabia como lidar com os destemperamentos dele. Seu Santinho era um dos homens de confiança do meu avô paterno, ele com outros homens, foram escolhidos por suas competências e forças físicas, pois esse senhor, seu Santinho, media quase dois metros de altura e a sua largura era bem correspondente a altura, e os ombros do senho Santinho eram bem chumaçados e com as roupas aumentavam ainda mais a sua largura natural. Existem nos sertões Nordestinos os homens são extraordinariamente altos, fortes e destemidos, sendo que muitos deles medem mais de dois metros, e são geralmente selecionados para agir como guarda-costas para todos os membros da dinastia Rocha/Freire. Todos com os ombros largos e fortes se posicionavam sempre eretos para aumentar a sua autêntica corpulência, enegreciam as faces para mostrar um ar mais feroz e andavam munidos de pistolas 765, sempre prontos a usá-los em qualquer infeliz malfeitor ou delinquente, que trouxessem ameaças a qualquer um de nós.
Seu Santinho tinha sido polícia, mas servia agora de guarda-costas a nossa família, e principalmente a mim como um verdadeiro principezinho, embora de pouca estatura, e estávamos por demais calejados de tanto andarmos a cavalo, e por isso todas as suas viagens que fazíamos eram feitas a cavalo. Os sertanejos, haviam invadido a nossa cidade sob o comando de um líder religioso, causando imensos alvoroços nas feiras livres e tudo aquilo era maravilhoso. Ao que parece, tinham pensado que a melhor maneira de conhecer a vida era fazendo amizades com os membros da dinastia Rocha/Freire, só assim se sentiam seguros na cidade. Seu Santinho sempre foi um dos nossos defensores, e durante todas as nossas aventuras, que chamávamos de combates tínhamos sempre a companhia do senhor Santinho e de outros guarda-costas que se empenhavam em nos proteger diuturnamente.
Meus avós paternos e maternos, meus pais eram membros da dinastia mais importante daquela região, Rocha/Freire, éramos importantes em todas as comunidades. As minhas famílias estavam incluídas nas dez primeiras famílias, portanto, meus pais exerciam grandes influências e eram considerados os senhores dos prósperos negócios de toda região, porém, adiante darei pormenores acerca das nossas relações familiares, como forma de governo da dinastia Rocha/Freire.
Meu pai era um homem corpulento, de estatura elevada, com cerca de um metro e noventa de altura, e tínhamos todas as razões para alardearmos a sua força, isso porque, em sua juventude podia levantar do chão dois sacos de 60kg ao mesmo tempo, e era dos poucos que podiam lutar com os homens e levar sempre a melhor, eram, portanto, lutas amistosas, que logo após os duelos, todos se ajuntavam em nossa casa para comer e beber bem a vontade.
A maioria dos Nordestinos tem cabelos e olhos castanho-escuros, porém, o meu pai era uma das exceções na região, cabelos ruivos e olhos azuis. Embora meu pai fosse um homem sereno, de vez em quando, por um motivo maior, meu pai se entrega a explosões súbitas sem que pudéssemos perceber as razões, porém, todos respeitavam ou temiam. Entretanto, em todas as ocasiões tínhamos sempre de ver por perto os meus avós e os meus pais, pois eram os nossos protectores, além dos nossos guarda-costas liderados pelo senhor Santinho. O Nordeste Brasileiro é uma faixa territorial árida que sempre atravessa períodos muito confusos da sua história. Além dos fenómenos naturais de longas estiagens e secas terríveis, existem sempre os conflitos ideológicos, culturais e religiosos que marcaram e marcam a história dos Nordestinos. Os Nordestinos tinham corajosamente invadido com grupos armados algumas cidades e povoados, e muitos tiveram que fugir para as cidades grandes ou capitais, deixando seus familiares e outros membros da comunidade nas mãos de muitos bandoleiros. Os Nordestinos foram muitas das vezes escorraçados de suas terras e casas, aos tempos das revoluções culturais, ideológicas e religiosas, mas não sem que primeiro tivessem cometido crimes atrozes contra o nosso povo Nordestino.
Durante a sua ausência dos nossos avós, em todos aqueles dias tão difíceis, os meus pais e aos outros membros da dinastia Rocha/Freire coubera a responsabilidade de governar as empresas e patrimónios pertencentes a dinastia Rocha/Freire. Interessante que a minha mãe costumava dizer que a disposição do senhor Santinho como guarda-costas não voltara jamais a ser o que fora, pois a cada dia ele ficava mais lento e um tanto quanto cansado. Não tinha, com certeza, tempo a perder comigo, pois seu Santinho me tinha como filho, e nunca conheceu o que fosse o amor paterno a não ser o que ele demonstrava comigo seu predilecto. Eu, especialmente, parecia exacerbar-lhe a ira, entretanto, se Santinho jamais ficava entregue às impaciências das minhas aventuras, que eram vistas como manobras para endireitar ou quebrar, como meu pai sempre dizia:
“Passarinho ou quebra ou endireita”.
Seu Santínho considerava as minhas tantas exibições em cima de um cavalo como uma afronta pessoal aos demais cavaleiros que se apresentavam nos mesmos eventos, pois o meu cavalo era sem sombras de dúvidas o melhor em toda a região. No Nordeste, os meninos das famílias consideradas aristocráticas, como as nossas, no caso, são ensinados a montar antes quase de aprenderem andar. Ser bom cavaleiro para a dinastia Rocha/Freire é essencial não somente para a comunidade, mas, também, para o país onde há carros nas todas as cidades e, onde todas as viagens nos interiores têm de ser feitas a pé ou a cavalo, como era o nosso caso quando íamos as nossas fazendas. Assim sendo, reconhecemos que toda nobreza Nordestina pratica a equitação horas e horas, dia após dia, até preparar os seus moços e moças, para se tornarem campeões e invencíveis, como era o meu caso, que ninguém conseguia ganhar de mim em nenhuma prova de equitação. Assim todos os nossos visitantes aguentavam-se sempre de pé na estreita sela de madeira para apreciarem minhas aventuras com o meu cavalo quatro de milha. Muitas das vezes, bons cavaleiros lançam-se a galopes através das planícies, em formações regulares, tentando muda de cavalos saltando de uma sela para a outra, como sendo a coisa mais simples, e eu, já aos nove anos de idade, tinha as maiores habilidades em uma sela, era considerado sombra sobre a sela e o cavalo, ou seja, não deslocava do lombo do cavalo.
O meu cavalo quarto de milha, era de pelagem impecável, brilhava como se tivesse lustrado com óleo mineral e tinha a cauda e as crinas compridas, e com a sua cabeça aparentemente fina para a raça, tinha uma inteligência ímpar, conhecia meus desejos e lia meus pensamentos. Meu cavalo tinha uma quantidade espantosa de recursos para me deixar livre como um verdadeiro cavaleiro experiente como eu me considerava. Todas as manhãs eram favoritas para eu e meu cavalo, eram sempre oportunas para darmos algumas corridinhas, e quando eu deslizava desamparadamente ao longo do dorso e eu chegava à altura da cabeça, o meu cavalo levantava a cabeça de repente, de forma que eu dava sempre um salto completo antes de atingir o chão, parecia uma relação sincronizada entre cavalo e cavaleiro. Depois de todas as nossas andanças, o meu cavalo ficava sempre parado a olhar para mim com ares complacentes.
No Nordeste nunca se anda a trote, os cavalos não são pequenos e os cavaleiros parecem verdadeiros guerreiros em campos de batalhas, onde na maioria das vezes um furta o passo suave do outro, que suficientemente rápido correm para cumprir as suas necessidades, reservando-se os galopes e carreiras para exercícios mais importantes.
O Nordeste é sem sombras de dúvidas, uma teocracia, não se apresentava nenhum interesse os nossos governantes tinham pelo progresso, isolando o Nordeste do mundo exterior. Não podemos esquecer de que os nossos governantes nunca desejaram outra coisa senão deixar em aparente paz aquela gente desolada, para poder meditar e subjugar os impulsos das carnes surradas e sofridas daquela gente. Os nossos sábios sabiam de há muito que os governantes cobiçavam as riquezas Nordestinas, e sabiam também que logo que os estrangeiros chegassem para explorar a região Nordeste aquela falsa paz desapareceria, agora que os governistas entraram no poder selvagem provou-se que tínhamos razão em pensar negativamente sobre os nossos governantes.
A minha casa era em Macaíba, na estrada de contorno que rodeia Macaíba, à sombra do grande cajueiro, pois existem três estradas circulares, e a que fica um pouco mais afastada, é a que é muito usada pelos peregrinos em suas romarias cristãs. Quando nasci, a nossa casa, em Macaíba, tinha dois pavimentos no lado que dava para a estrada, e ainda um pequeno soto. Na realidade, essas manifestações só têm significados durante as procissões que se realizam algumas vezes por ano, muitas casas têm nos telhados planos para aproveitamento da altura em pé direito.
A nossa casa foi construída com argamassa de cal, óleo de baleia, melaço de engenho, pedra e madeira de lei, fora construída a muitíssimos anos, cerca de 400 anos, tinha a sua forma quadrada, com um grande pátio interior que servia salas dentro da mesma sala. Os animais domésticos cachorros, viviam em harmonia com todos da casa no térreo e, não podiam subir ao primeiro andar, pois lá ficavam os dormitórios que eram muitos. Tínhamos, portanto, uma boa fortuna de possuirmos um grande lance de degraus de pedra; a maioria das casas do Nordeste não tinha mais que uma escada de madeira, e nas casas dos camponeses geralmente de um só piso, não havia escadas. Os meus avós resolveram em comum construir algumas casas próximas umas das outras, criando assim uma espécie de condomínio habitacional de grande luxo, fê-lo reconstruir com casas padrões de quatro andares, essas davam para a estrada principal, e assim não olharíamos para a estrada romeira quando passasse as procissões, por esta e outras razões, não houve protestos.
O portão principal que dava acesso aos pátios interiores e exteriores era rigorosamente pesado, de madeira muito antiga e de cor escura, e muitos dos romeiros, se desviavam dos seus caminhos e tentavam invadir os nossos pátios, por não terem capacidade de ultrapassar os muros, forçavam as vigas de madeira sólida do portão principal, e logo eram recebidos pelos nossos cães de guardas e pelos nossos guarda-costas armados. Por cima do portão principal ficava o escritório de administração do meu avô paterno, onde, dali o meu avô paterno podia ver toda a gente que entrava e saía da cidade, romeiros e não romeiros, porém, quem estivesse pelo lado de fora de nossas fortalezas não conseguiam enxergar o meu avô paterno que estava sempre em uma posição privilegiada, sobre tudo e sobre todos estrategicamente falando. Era, portanto, o meu avô paterno quem contratava e/ou despedia o pessoal e quem, providenciava para que, principalmente os serviços domésticos corressem eficazmente para não causarem transtornos a minha avó materna. Meu avô ficava sempre a observar, à sua janela, enquanto as pessoas transitavam para lá a e para cá ao cair da tarde. As palmeiras entoavam canções aos conventos, que faziam bem a nossa mente, alma e espírito. De todos os lados e regiões vinham os religiosos para pagarem suas promessas e muitos deles vinham até os portões de nossa casa para receber refeições e água fresca, pois era somente o que minha família fornecia que os sustentavam durante as grandes jornadas e peregrinações dias e noites. Todos os principais nobres da dinastia Rocha/Freire proviam às necessidades dos pobres não importando suas respectivas castas ou regiões. Por muitas e muitas vezes, apareciam até pessoas condenadas pela justiça e que estiveram presos por determinados tempos em cadeias e penitenciária, porque no Nordeste havia poucas prisões grandes e muitos dos condenados vagueiam pelas cadeias e os delegados mendigando o sustento de seus detentos.
Não podemos e não devemos esquecer de que no Nordeste, os condenados não são tão desprezados, entretanto, muita das vezes nem são considerados pessoas dignas de relacionamentos sociais e nem tão pouco familiar. Todos nós sabemos que muitos dos nossos representantes dos três poderes podres seriam condenados se as suas faltas fossem descobertas e julgadas, por isso que essa corja de malfeitores não são atingidos, por esse infortúnio são tratados com compaixão pelos seus pares, e o pequeno, pobre, desamparado sofre além do necessário.
Nos quartos à direita do gabinete do meu avô paterno que era o administrador geral da dinastia Rocha/Freire viviam as mulheres e à esquerda os homens. As funções de todos eram as domésticas enquanto estivesse debaixo das ordens dos nossos avós paternos e maternos. Todos, rigorosamente cumpriam as suas missões diárias nos afazeres da casa, rezávamos diariamente pedindo a protecção divina para as nossas famílias, parentes, amigos e nossas actividades internas e externas. Os nobres menores de idade, faziam os trabalhos internos e não podiam conviver expostos em actividades extras com pessoas de linhagens inferiores, e para tanto, tínhamos um capelão que era também um de nossos guarda-costas, que nos orientava com rigor e autoridade, não permitia desordem ou desequilíbrios pessoais que comprometessem a dinastia Rocha/Freire. Antes de qualquer acontecimento de importância, tínhamos que consultar esse capelão e pedíamos que dedicassem preces a Deus para obter o favor divino, e de três em três anos, recepcionávamos os sacerdotes que voltavam de suas peregrinações e na nossa casa descansavam e eram substituídos por outros que seguiam os mesmos passos missionários nas terras distantes dos sertões áridos Nordestino, que pelas acções da natureza sacrificava aos poucos sua gente.
Em cada lado da nossa casa havia sempre uma sala que servia como sala de orações e/ou capela, embora não tivéssemos imagens de esculturas, tínhamos algumas salas-capelas que auxiliavam a todos, pois as mulheres rezavam em salas separadas dos homens. As lamparinas de azeite mantinham-se permanentemente acesas em frente das salas-capelas que iluminavam os altares de madeira esculpida onde guardávamos em cada a Torá. As sete pias de bronze para uso sacerdotal, as águas eram limpas e renovadas várias vezes por dia, isso porque, meus avós entendiam que elas tinham de estar rigorosamente limpas porque o nosso Deus não gosta de nada sujo ou maculado, e nessas pias poderiam até beber delas se assim desejassem. Os sacerdotes que frequentavam a nossa casa eram bem alimentados e comiam à mesma mesa com a nossa família para que pudessem rezar eficientemente e dizer a Deus que a nossa comida era boa e que poderíamos abençoar milhares e milhares de pessoas famintas nos sertões Nordestinos como fazíamos anualmente e incondicionalmente.
Em nossa casa com seu gabinete administrativo vivia o especialista em leis, um dos mais renomados advogados, cuja tarefa consistia em assegurar que os negócios da dinastia Rocha/Freire fossem conduzidos de maneira correta, legal, produtiva, próspera e lucrativa. O que mais nos chama a atenção é que os Nordestinos são rigorosos cumpridores das leis e os meus avós e todos que compunham a dinastia Rocha/Freire tinha de dar exemplos impecáveis nesses particulares, o que faziam orgulhosamente.
Nós, as crianças, meus irmãos, primos e agregados, vivíamos diariamente na nova ala da casa que tinha apenas o piso térreo, e dava de frente o pátio central onde tinha algumas fontes de água, portanto, ficava bem mais afastada da estrada e do portão principal. À esquerda da nossa ala ficava uma sala-capela muito bonita e toda ornamentada, que logo à direita tinha uma sala de estudos, onde praticávamos, ditados, leituras orais, e também, participavam os filhos dos criados. As coisas em nossa casa eram rigorosamente e cuidadosamente estabelecidas para não ocorrerem erros, assim sendo, as nossas lições diárias eram longas e variadas, para que nosso tempo fosse rigorosamente ocupado com coisas boas e produtivas.
Certa vez, fomos visitar um amigo íntimo do meu avô materno, ele estava muito doente, fraco, desnutrido e incapaz de suportar a vida dura a que éramos submetidos naquele sertão Nordestino, e antes de completar trinta anos deixou-nos e voltou para França, o seu país de origem. Nessa época, eu tinha apenas nove anos de idade, mas, me lembro de tudo o que aconteceu, e logo depois, recebemos a triste notícia que o amigo do meu avô materno morreu. Lembro-me direitinho quando meu avô atendeu o telefone, que só existia em nossa casa naquela época, recebendo a notícia vinda do Recife que o amigo dele havia falecido poucos dias depois de chegar a França. Enviaram dias depois as fotos do amigo morto, em que ele estava estendido sobre uma grande mesa de mármore e parecia uma casca vazia, e os homens da IML o levaram para o esquartejar, de acordo com o costume, para saber a causa morte.
Passei a ser o herdeiro de todos os bens deixados pelo amigo do meu avô materno, pois, assim que o advogado da dinastia Rocha/Freire e o meu treino como administrador passou a ser cada dia mais e mais intensificado, isso porque, eu já tinha doze anos e além de ser um cavaleiro nato, eu era também um aprendiz de administrador com meus avós. Meus avós e meus pais eram pessoas rigorosas e rígidas, eram os principais da Congregação, e nessa qualidade tinham de certificar-se de que eu o seu filho adquiria disciplina severa e podia servir de exemplo aos outros, como modelo de criança bem formada, educada, disciplinada, ordeira, responsável.

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